De mim

O que podem dizer de mim todas as histórias infinitas que tento inventar, nas quais espero reinventar-me e ganhar uma nova vida. São elas a tradução duma frustração que ganho, dum momento que se estende e ao qual chamo de vida? Perdi-me dentro da casa à procura do mundo, pensando que os horizontes eram as paredes brancas que me embarcavam? Ou saí eu por aí afora, distraída e encontrei-me por acaso comigo mesma, entre duas taças de vinho e alguns olhares trocados. Um pouco de rímel e um toque de bâton. Esperava eu que um encontro causado comigo mesma fosse um lugar no qual finalmente poderia encontrar-me e dizer-me, como foi o caminho até hoje, sentir-me livre para mudar de estrada se esta me parece curta.

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I – Nem às paredes confesso

Podes vir. Podes chegar, eu estou pronta e não tenho medo de enfrentar os teus olhos castanhos, o teu riso tímido e desajeitado ao lado das tuas mãos tão inseguras, que se afirmam como se o mundo lhes pertencesse nesse momento desconhecido. Ficarei aqui até que os teus olhos possam dormir em paz, até que oiça os teus sonhos nos meus sonhos, até que veja o teu olhar no meu olhar. A tua insegurança é a tua maior rebeldia. Escondido nesse envolto de segurança e grandeza, na determinação apenas pensamos que és um vencedor. Mas na verdade és a alma despida de amor, és uma procura de reconforto e algo rejeitado e com isso tão frustrado. O controlo faz parte da tua soberania e é por isso tão complexo conseguir ficar a teu lado. Estarei pronta desta vez. Continuar lendo “I – Nem às paredes confesso”

De Lisboa a Paris : o que mudou ?

A minha vida em cinco pontos 

1 – não me canso de dizer, mas uma agenda é quase indispensável. Seja electrónica, isto é, no email ou no telemóvel, ou seja como a minha, no bom e velho papel. Toda rascunhada, cheia de números sem nome. De nomes sem número. E de datas, sempre no dia errado. Mas é importante. Lembro-me do primeiro dia que cheguei à associação do voluntariado (quando fiz o voluntariado europeu), a tutora perguntou-me se eu tinha uma agenda. Eu, na minha ingenuidade, levei a pergunta para o sentido tens uma agenda? és uma pessoa muito ocupada?. Não era isso. E ela tratou logo de me encontrar uma agenda novinha em folha. 2013. Um ano que durou, durou… A agenda é um acessório indispensável seja na vida íntima ou profissional. Mas um dia falo melhor sobre isto…  Continuar lendo “De Lisboa a Paris : o que mudou ?”

Um limãozinho cada dia, nem sabe o bem que lhe fazia

Eu sei que estás aí num dia de chuva, mesmo com um sol radiante lá fora, dentro de ti chove. Talvez seja a chuva que tanto esperavas, aquela que vai renovar-te, novamente. Por dentro. Deixa chover, mas não chores. Ou chora, se te alivia, mas sem lágrimas. Não sou pela teoria dos sempre felizes, mas conheço a força que damos à força. Alimenta em ti aquela que seja a mais criativa, com a qual consegues sempre mudar. O mais importante  é não duvidar que essa força possa existir.

Conheço o mundo industrializado no qual vivemos, sempre a exigir mais. Mais beleza, mais saúde, mais firmeza, mais inteligência – sobretudo mais aparência. A felicidade não deve ser esse rótulo pré-formatado: essa ciência dos felizes. Parece que se mostra em todos os lugares, que floresce em todos os cantos e sobretudo que invade em força todos os ecrãs – da televisão ao telemóvel, passando pelas revistas, pelas publicidades, por todos os lugares onde possamos meter os olhos. Passa-se sobretudo na repressão, no segredo, entre quatro paredes escondidas, onde sempre queremos guardar esse lado negro da nossa tristeza. Escondê-la.

Não  é por isso que quero falar.

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Inspirações

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Imagem Editada * Ryan McGuire

 

 

Livro meu, livro meu, quem é mais medrosa do que eu?

Tinha dezasseis anos e escrevi de enfilada aquilo que deveria ser um livro. O livro para um concurso literário, a professora de português estava contente quando me falou nisso. Já podia escrever no computador, mas já era apegada às canetas e ao papel. Lembro-me do molho de folhas amarrotas que lhe dava cada semana. Era preciso escrever cinquenta páginas A4. Dito assim, parece quase nada. Mas para mim parecia-me um infinito, ao mesmo tempo sentia-me presa à ideia de não ter liberdade.

Esqueci-me rapidamente o resto. De tudo. Passei horas dentro daquela tinta, Continuar lendo “Livro meu, livro meu, quem é mais medrosa do que eu?”

Uma paixão às cores

Ainda acredito no amor ? Ou alguma vez acreditei naquilo que deveria ser o amor como eu tinha imaginado ?

É o assunto mais rodado de todo o mundo, fala-se em todas as línguas e interroga-se em todas as culturas. Não sei como é ensinado, nem se alguém chegou a aprendê-lo de facto. Dei-me de caras com ele – desde sempre. Não demorou muito, sempre acreditei que era para sempre. Sim, um amor de sempre. Para sempre. Logo, agora. Não importa.

Ainda não tinha lido a história com a qual queria terminar os meus dias, entre fósforos ardentes, como em «Água para Chocolate», mas sabia já desde então, que seria assim. Do fundo mais profundo que eu tivesse. O problema é que podia durar pouco tempo. Mas quero explicar que não muda o tamanho. Era verdadeiro quando era intenso, era verdadeiro quando era doente, da mesma forma que era verdadeiro quando era incerto. O amor ganhou várias formas, caras, nomes. Teve muitos lugares, mas morou sempre em mim. Quando tentei separar-me dele, acabei por me enredar em paixões que elas nem sempre eram de natureza pura. O meu amor também é impuro, não acredito demais em plenitude. Mas as paixões podem rapidamente tornar-se um vício e logo se tornam montanhas russas cheias de altos e baixos. É preciso não ter vertigens para se deixar embriagar em paixões desse tamanho. Continuar lendo “Uma paixão às cores”

Inspirações de abril

  1. blog : novo início para Battistta
  2. the catch : a série que acompanho
  3. chá : partilhamos este gosto
  4. happy hour : um momento económico para estudantes
  5. sociopholia : um mês intenso de trabalho
  6. ❤ para ela : aniversário 
  7. Ludovico Einaudi : um concerto sublime
  8. biblioteca : de volta às semanas sem fim
  9. encontros : é preciso estar aberto aos momentos da vida
  10. sushi : um vício, quem diria
  11. mercado : num dia de sol, cheio de morangos
  12. focus : desconectar todos as redes sociais, incluíndo o blog
  13. aulas : estou à espera duma nota e preciso que seja a melhor
  14. 1 página : escrever é preciso, a dissertação espera-me
  15. email : marcar reunião
  16. bar : pausa a dois
  17. amigos : nova pausa, entre os estudos e a vida
  18. férias : a páscoa chegou mais tarde
  19. jantar : nova receita para hoje
  20. filme : cinema, mas qual filme
  21. aniversário : entre amigos de amigos de amigos
  22. bolo : mais um, preciso de emagrecer
  23. brinde : que a vida continue longa
  24. vermelho : dor, amor, sangue, ousadia
  25. revolução : 25 de abril de 1974
  26. liberdade : o nome pela qual gritamos todos
  27. poema : sobre a viagem da vida
  28.  autor : um dos meus preferidos
  29. foto : do dia em Paris
  30. off
Imagem ©Alessandro Bonini

Longe como dezasseis

Querida mana,

Por muito amor, feliz aniversário. Por muito longe, feliz aniversário. Por muita saudade, feliz aniversário. Daqui um beijo, um abraço e o teu sorriso, o teu carinho e a tua existência gravados. Hoje fazes dezasseis anos, estou orgulhosa de ti. Lembro-me de quando fiz dezasseis anos e de como o teu sorriso grande no teu rosto pequeno, iluminavam já os meus dias, no brilho dos teus olhos pretos.

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Insegura, luto contra mim

Parece uma luta – não é contra o mundo, nem contra alguém que não eu mesma. Porquê? Ainda me perco dentro da minha cabeça à procura de respostas que não encontro, porquê lutar contra si mesmo, contra a sua força e contra a sua necessidade. Sim – é urgente escrever! É verdade que neste momento dedico-me intensamente ao site de sociologia (www.sociopholia.com) e que não deixa de ser verdade que escrevo entre duas marés. Aquela que me entusiasma de conseguir expôr no papel esta aventura da sociologia e a segunda maré que me confronta à minha fraqueza – não tenho um nível correcto da língua, tenho imensos erros de gramática. O desânimo é completo. Recebo imensas (mais de dez já é muito, não?) mensagens de pessoas que não conheço nem por intermediário de alguém e todas nenhuma sem excepção me felicitaram pela iniciativa. Mas, porque há quase sempre um mas, que eu deveria estar mais atenta a estes erros que perturbam qualquer leitor, mesmo os mais desatentos. Acredito nos incentivos e aceito os elogios, mas logo me afundo entre dúvidas… E deve ser algo assim que se passa com cada página que crio para me exprimir na minha língua materna. Com todas as dores e calos que isso possa causar para alguns. Continuar lendo “Insegura, luto contra mim”