Fugaz encontro no metro

Um fim de dia como um outro. Mas hoje estava mais cansada do que ontem. Precisava dum lugar para me sentar no metro. Vou entrar nesta porta, parece-me que há um lugar… Foi inesperadamente dentro do metro, este olhar que penetrava mais do que a proximidade à qual estávamos sentados. Existia uma curiosidade que pairava entre nós.

Estavas tu também à procura de algo quando o metro parou. Partiste sem um olhar de adeus, ainda que durante aqueles minutos tenhas procurado respostas às tuas perguntas. Admito que fugi com o meu olhar. Não queria ter de resistir e, para isso era preciso nem estar pronto a pensar. Escondias palavras e sons entre o silêncio barulhento do trajecto. E partiste. Enquanto cantarolava uma música estúpida que não me saía da cabeça, que agora esqueci. Pensava em feijões. Queria fazer arroz para o jantar. Desculpa os meus pensamentos tão quotidianos.

Ainda assim, queria dizer-te. Sentei-me à tua frente pelas tuas calças cinzentas. Que bem se distinguiam àquela hora em que todos voltam a casa. E que fiquei surpreendida com os teus olhos negros. Da próxima vez diz-me «Olá», eu lembrar-me-ei de ti. 

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Imagem Editada © Dave Meier – Picography
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