Um limãozinho cada dia, nem sabe o bem que lhe fazia

Eu sei que estás aí num dia de chuva, mesmo com um sol radiante lá fora, dentro de ti chove. Talvez seja a chuva que tanto esperavas, aquela que vai renovar-te, novamente. Por dentro. Deixa chover, mas não chores. Ou chora, se te alivia, mas sem lágrimas. Não sou pela teoria dos sempre felizes, mas conheço a força que damos à força. Alimenta em ti aquela que seja a mais criativa, com a qual consegues sempre mudar. O mais importante  é não duvidar que essa força possa existir.

Conheço o mundo industrializado no qual vivemos, sempre a exigir mais. Mais beleza, mais saúde, mais firmeza, mais inteligência – sobretudo mais aparência. A felicidade não deve ser esse rótulo pré-formatado: essa ciência dos felizes. Parece que se mostra em todos os lugares, que floresce em todos os cantos e sobretudo que invade em força todos os ecrãs – da televisão ao telemóvel, passando pelas revistas, pelas publicidades, por todos os lugares onde possamos meter os olhos. Passa-se sobretudo na repressão, no segredo, entre quatro paredes escondidas, onde sempre queremos guardar esse lado negro da nossa tristeza. Escondê-la.

Não  é por isso que quero falar.

Nem para defender essa pseudo-ciência-da-felicidade. Queria apenas que mais palavras fossem distribuídas, que mais sinceridade fosse valorizada, que mais criatividade fosse ousada! Sim. Que a educação passa-se por uma espécie de curso de confiança, sem que isso se resuma a uma psicologização mal amanhada do comportamento humano. Quando olho em volta dou-me conta que mais facilmente é valorizada a tristeza, a pobreza, a caridade, aquilo que nos pede uma certa empatia e sobretudo uma falsa superioridade. Afinal, alguém está sempre pior. Esse é o último capítulo da pseudo-ciência-da-felicidade. É necessário distinguir as leituras.

Para tal, começa a valorizar-te enquanto pessoa – diferente. Sim. Nenhuma é igual. Nem por mais amor do mundo, ninguém é igual. E óptimo! Que bom! Ainda bem! Podemos partilhar gostos, opiniões, posições, amores, paixões e ódios. Mas caminhámos em diferentes caminhos, crescemos em contextos diferentes e idealizámos um mundo que não corresponde ponte por ponto ao mundo do outro. E hoje é necessário confrontar-se a esta realidade. Queria pedir, distribuir e plantar mais flores de criatividade. De imaginação. De risos. De confiança.

A criatividade : para combater esses momentos de indecisão.

A imaginação : para não terminar com cada momento de criatividade, multiplicando-a.

Os risos : para que se reproduzam e se tornem contagiantes.

E a confiança : para reflectires. Para pensares verdadeiramente em quem és. Saberes do que és capaz, quais são as tuas razões, os teus limites e os teus objectivos.

Apesar de não sei patriota dessa ciência dos pseudo-felizes, tornei-me adepta desse desporto dos objectivos. Compreenda-se que o desporto não é apenas físico, e, que neste caso é mental. Sim mental. Saber-se para onde se vai, custa mais do que correr sem saber para onde. Compreendam correr em todos os sentidos, figurado e concretizado. Ali, pelo parque fora. Contra tudo e contra todos ainda estou a aprender este desporto mental. Não sou exactamente organizada, não tive um objectivo único e mudo de ideias com frequência. Com a frequência necessária até estar certa duma ideia (acreditem, nunca estou certa dela). Mas tento combater isso, (in)voluntariamente.

Fixar-se um objectivo não é portanto impôr-se uma regra. Hello!! Medo de regras?? Eu. O objectivo é apenas vosso e serve para orientar uma decisão, um pensamento, um projecto. Várias coisas – se não todas – podem incluir-se num ou vários objectivos. Porquê? Porque quando chove, nesses dias com menos sol, quando pensamos em desistir… quando nada ou quase nada faz mais sentido, olhando para o objectivo, é o mesmo que olhar para o futuro. O futuro é o dia de amanhã, é a próxima semana, os próximos anos. O futuro é o minuto seguinte ao qual quase ficaste em baixo, mas decidiste « hoje não! ». Hoje vou acreditar. Sim! E a partir daí é só continuar. O médico pode prescrever uma receita com doses individuais, a tomar com frequência. Eu diria… partilhem este texto! Leiam-no e façam-o crescer! Rir, criar, objectivar.

©Ryan McGuire
Imagem Editada ©Ryan McGuire
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