O tempo, esse enigma

O tempo e as crónicas da vida quotidiana cruzam-se e entrelaçam-se, às vezes criam nós. Daqueles que não se desfazem, não são nós, como tu e eu ou vocês e eu. São outros. Piores. O enigma do tempo é saber viver com ele sem que ele viva por cima de nós, aceitá-lo. Sinceramente eu tenho maus hábitos e  esqueço-me de que o tempo existe, lembro-me quando tenho sono e cada vez que vejo que sou obrigada a cumprir horários e horas. Sempre que tento organizar-me lembro-me do tempo, de outra forma passaria bem sem ele, obrigada. O tempo acumula-se, transforma-se. Não se ganha e perde-se sem parar!

Não sou uma grande noctambula e se me aborreço posso adormecer em qualquer lugar. Se tiver de trabalhar o meu cérebro faz das suas e desliga pelas dez da noite, mas agora… quando se trata de dar asas à minha imaginação o problema é conectá-la com a realidade. Porque ela não pára dia ou noite. Dá-me sonhos todos os dias, fantasmas noites a fim e ainda me deixa ficar aqui, à uma da manhã passada a escrever sobre o próprio tempo. Não é algo comum, acreditem. Porque dado o ritmo citadino sou obrigada, pelo senhor tempo, a dormir cedo e a escrever pela manhã. Não acredito que a criatividade seja mais pura, mas normalmente escrevo menos erros porque tenho mais atenção.

Escrever durante a noite é uma relação de adultério com a minha imaginação. Criamos por vezes encontros clandestinos quando ela não me deixa dormir. Muitas vezes fui para a cama com uma ideia – não era a ideia do século – que não apontei. Acreditando que no outro dia pela manhã a ideia estaria na minha cabeça pronta a saltar para o papel, acreditem ou não, ela nunca volta. Elas nunca voltaram essas ideias tardias. E eu que não sei como me organizar com o tempo, comporto-me correctamente e vou dormir. Porque se o tempo existe e se durante a noite o sol está escondido é porque é hora de dormir… não? Não exactamente, eu sei. Eu também faço festas e gosto de sair à noite, é um outro tempo o nocturno. Liberto, aberto e muitas vezes sem complexos. Escrever a esta hora sobre o tempo é dar liberdade ao espírito e dizer que se opõe a essa ideia de que todos temos o mesmo relógio biológico. (Esta frase daria um novo bilhete…) Na verdade não temos.

O maior enigma sobre o tempo e ainda não desvendado, nem nos filmes do cinema é a idade, a memória e a vida que chega com a morte. Sim, muitos filmes, livros e músicas falam sobre esses temas. Mas ninguém teve uma conversa tu-cá-tu-lá com o tempo para lhe dizer que queria viver jovem toda a vida, ou que queria esquecer certas passagens da minha memória ou simplesmente que nunca é cedo (ou nunca é tarde?) para morrer.

Ryan McGuire_03Imagem Editada ©Ryan McGuire
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